Ah, você tem que ser forte pra ouvir um violino.
Cada movimento do arco entra como uma facada no coração. Este que melancolicamente inicia o seu lamento em notas graves, numa melodia solitária. Como ele está só. E é assim que relata suas tristezas, toca sua sina, canta a esperança que não quer ter, chora, clama, se aperta, se expõe, aliás, não se importa em se expor. Como sua dor é grande. Chega a, por fim, perde-se em suas forças e silenciar numa fermata. Aos poucos o mundo se comove, começa a cantar por ele. Ou seria por si? A dor parece ter atingido a todos. Cada vez mais, vozes se unem ao lamento: agudas, graves ou metálicas. Não há mais espaço sem vozes. Com um último impulso, o coração volta a solar em meio aos mais tristes acordes. Cada colcheia perfura, cada semínima não só espeta como também tortura, cada arcada tira um pedaço, é um lampejo da memória. O coração explode num agudo desiludido. Não quer mais acordes ou notas. Que dor! Será que tem fim? Onde está o fim? Para ele só restam as pausas.
*Assim bateu meu coração durante os compassos do Concerto nº 1 em Ré Maior de Paganini que Sarah Chang tocou sábado no Theatro Municipal do Rio.
segunda-feira, 9 de julho de 2007
Sarah Chang e a orquestra filarmônica de Berlim
Assinar:
Postar comentários (Atom)

0 inquietações:
Postar um comentário